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Domingo, Dezembro 02, 2007
O fastio do desencanto.
Tanta perda,
Tanto dano,
Pra nenhum ganho
Ou alívio.
Pago por algo?
Ou tudo é só enigma,
desafio?
[na pior das hipóteses, piada?]
Em verdade,
Não tenho mais humor para isto.
Transpiro cansaço.
Quero o anil do dia mais bonito.
Mais nada.
lara ; 3:02 PM ; |
Terça-feira, Novembro 13, 2007
O suspiro comprime
o grito:
rompante de vidro,
rangido de ferro,
por dentro;
por fora,
o silêncio encerra
o desespero.
lara ; 10:21 PM ; |
Domingo, Outubro 21, 2007
O que eu quero lhe dizer, minha amiga, é tudo aquilo que já não pode ser: é sobre o que é clandestino, mas nem por isso é menos intenso ou verdadeiro; é sobre o que está escondido, porém latejando noite e dia dentro do peito; é o que tira o sono de forma cruel e cruelmente também embala delírios que de tão vexados pelo desejo viram pesadelo. E que acontece, ora, quem diria, né? Comigo.
Por mais que eu queira que não aconteça, sou a campeã da bandeira. Se ele me encara, olho para baixo e travo; quando não, saio correndo numa fuga tão desesperada, tão arfante que faço de corredores becos sem saída, perco o fôlego e me despenteio.
Eu sei, sim, que é muito alvoroço por nada. Mas o que posso fazer? Já não é demais tentar a qualquer custo suprimir o que sinto? Mais que isso, é impossível. Exato. Pode muito bem ser que eu não queira o esforço necessário para livrar-me disto.
Fico contente em estar imersa na cegueira de um amor que só eu vivo. Faz-de-conta? Não. O amor existe. O que não há é o contato. E nunca haverá.
Nem eu mesma acredito, mesmo. E quem sou eu para acreditar? Minha crença não levará a nada. Ademais, se sou cética quanto a isso, ele é cínico. Sabe de tudo o quanto eu sinto e aproveita para ser sádico: deboches que só eu compreendo, censuras desnecessárias; me esmiúça assim e sai impune.Bom proveito, meu caro. Só digo: o troco virá rápido e arisco.
Sim, é meu direito: pelos danos vindouros, maldigo e praguejo.
Tudo isso é uma grande e fina ironia. De minha parte, sei que o riso virá por último. Convencer-me disso me acalma. Será verdade o que pressinto?
lara ; 6:13 PM ; |
Corto as asas
do meu verso:
viram prosa,
a pluma cresce,
o poema voa.
lara ; 6:12 PM ; |
Sábado, Outubro 06, 2007
Não conseguimos nos perder; e não vamos
Muito ainda há de nos prender:
Tudo transita e nós ficamos.
Nosso destino
Não desata, nem se desmente
Eu não consigo cortar,
Você embaraça ainda mais
E faz com que sigamos unidos
Muito incomodamente.
Daí a raiva contida
Revela-se e explode:
Mas o estopim
É tão barato
Que nem susto provoca.
E de um salto
Vai-se a calma:
Em lugar de gritos e lágrimas
Vamos à faca,
Partimos da pedra e do vidro à bala;
Coisa alguma se quebra; pudera:
Gume cego e
Estopim ordinário
Não adiantam nada.
Então atinamos
Que já é permanente,
O pânico nos assalta;
Porém, é tarde:
A paixão virou nódoa
E não se remove
Nem com anil e água morna.
lara ; 10:21 PM ; |
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